domingo, 2 de agosto de 2009

Nunca Parto Inteiramente

Se o meu cão falasse fazer-vos-ia, agora agora, uma carrada de perguntas, com o objectivo de se sentir menos sozinho. Já sentiram que têm de fazer uma coisa, mas que não querem nada fazer, e não fazem mesmo? Já investiram em situações que sabem que não darão nada, e mesmo assim continuam a investir? Já sentiram que deviam sair assim de mansinho, causando o mínimo de danos possíveis, e mesmo assim querem ficar e viver o que, supostamente, não podem? Já trasformaram certezas absolutas (raio do pleonasmo) em supostammentes, para doer menos? Já sentiram que fazem, com certeza, mal a alguém e mesmo assim querem pensar que esse alguém ficará pior com a vossa saída? Já se enganaram a vocês próprios? Já sentiram que, por mais que queiram, nunca irão partir inteiramente?

Pois não sei se vocês já passaram por uma situação similar a esta, mas sei que o (grande) Manuel Cruz, que tão bem esteve ontem em Paredes, já sentiu qualquer coisa que se aproximou ao estado fofinho do meu canídeo. e assim vos deixo com a fantástica letra da música e, se o quiserem ouvir cantar, carreguem exactamente aqui

Nunca parto inteiramente,
Não me dou à despedida
As águas vão simplesmente
Presas à sua nascente
É do seu modo de vida

Fica sempre qualquer coisa
Qualquer coisa por fazer
Às vezes quase lamento
Mas são coisas que eu invento
Com medo de te perder

Deixei um livro marcado
E um vaso de alecrim
Abri o meu cortinado
Fiz a cama de lavado
Para te lembrares de mim

Nunca parto inteiramente
Vivo de duas vontades:
Uma que vai na corrente,
A outra presa à nascente
Fica para ter saudades

Sem comentários:

Enviar um comentário