terça-feira, 25 de agosto de 2009

Roma é o contrário de amor?

Se o meu cão falasse diria que, por ele, teria vindo logo que chegou para este cantinho e assim falar-vos da sua grande viagem a Itália mas – e aqui se vê o apreço que ele tem por todos vós – por prevenção, teve três dias de quarentena para ter a certeza que não tinha a gripe A e assim saber que não colocaria a vossa saúde em risco. Merece o céu, este animal!
A viagem foi fantástica. Incluiu bons monumentos, duas cidades muito bonitas, boa comida, animação e muito passeio. Tudo isso foi óptimo, sim, mas o que o meu cão mais gostou foi da companhia.

“Falámos sobre isso uma vez, e eu disse-te que a vida me tinha ensinado que fácil era o ruído, as conversas sem sentido, a banalidade das palavras ditas sem necessidade alguma (...) Para mim, o silêncio era sinal de distância, de mal-estar, de desentendimento. Ao princípio, quando ficávamos calados muito tempo, eu sentia-me inquieta, desconfortável, e começava a falar só para afastar esse anjo mau que estava a passar entre nós. Um dia tu disseste: - Cláudia, não precisas de falar só porque vamos calados. A coisa mais difícil e mais bonita de partilhar entre duas pessoas é o silêncio.”

Miguel Sousa Tavares, “No teu deserto”

Este foi o livro da viagem a Itália e, quando o canídeo leu esta passagem, estava numa viagem ferroviária (Fiorenze-Roma), uma viagem de quatro horas em que o silêncio imperou. Os livros, para ele, nunca foram puro entretenimento. Servem, essencialmente, para pensar nas ideias, nas frases escritas e este excerto foi alvo de alguma reflexão. Ele sabe que não é propriamente algo original mas, para além de muito bem escrito, temos de concordar que a intimidade não traz mais diálogo, mas sim mais silêncio.
Eu, nestas férias, tive a oportunidade de partilhar o silêncio com alguém, silêncio este que não foi acompanhado de um sentimento estranho, de um certo incómodo. Não, se alguém precisava de estar consigo, ou de observar mais atentamente um monumento ou situação, tinha todo o espaço para que isso acontecesse. Foi mais uma prova do que as bases estão bem construídas. Não tenho medo de controlar as palavras contigo, não tenho de arranjar um tema de conversa. Quando não temos assunto para falar, não falamos e pronto. Olhamos um para o outro, olhamos para a paisagem, e tudo isto sem precisarmos de ouvir o que o outro tem para dizer. A amizade é bonita e, a nossa, é bonita e silenciosa, como eu gosto. (se parecer que o meu cão está a tentar pedir desculpa por ser obsessivo e obstinado, estão errados e aconselho-vos a reler e reler e reler)

1 comentário:

  1. disses.te tudo que uma amizade pode ter de bom :) adorei manel, e sabes que no fundo foste o melhor da viagem a roma! :p
    a nossa amizade realmente tem umas bases fantásticas :D

    beijo MIGUEL x)

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