"Tirem-me a vista.
Tirem-me para sempre a luz de Lisboa.
Tirem-me as encostas do Douro, o Tejo e o Alentejo.
Tirem-me a calçada dos passeios. E os azulejos da parede.
Tirem-me o ouvido.
Tirem-me para sempre o choro da guitarra e o pranto do fadista.
Tirem-me os pregões das mulheres do bulhão e a pronúncia de norte a sul.
Tirem-me a fúria de espuma das ondas e o grito do golo!
Tirem-me o tacto.
Tirem-me para sempre o sol de Inverno a bater na cara.
Tirem-me o barro a ganhar forma entre os dedos.
Tirem-me o rosto queimado da minha mãe e a mão áspera do meu pai.
Tirem-me tudo isto, mas não me tirem o gosto. Porque se eu ainda for capaz de saborear (...) serei capaz de dizer, se não me tirarem a fala, que estou em Portugal."
Dói sempre quando te relei-o
terça-feira, 28 de julho de 2009
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